Físicos da ETH Zurich deram um passo importante ao gerar o que chamam de aleatoriedade perfeita usando qubits quânticos emaranhados. O resultado chama atenção sobretudo por um ponto: ele pode mexer diretamente com áreas como criptografia e segurança digital.
O experimento, considerado inédito, foi feito com chips supercondutores resfriados a temperaturas próximas do zero absoluto, explica matéria na LiveScience.

O que significa gerar aleatoriedade perfeita
Na teoria, a ideia de aleatoriedade perfeita parece simples. Na prática, não é bem assim. Mesmo os sistemas mais avançados usados em computadores podem carregar pequenos vieses, quase invisíveis, que acabam aparecendo como padrões — e isso já é suficiente para criar problemas em certos usos.
O ponto mais interessante aqui é que, quando entramos no mundo quântico, a lógica muda um pouco. Testes estatísticos continuam sendo úteis, claro, mas deixam de dar conta de tudo. A aleatoriedade, nesse caso, não é só “medida”: ela passa a ser sustentada diretamente pelas leis da física.
Em criptografia, isso é sensível. Pequenas previsibilidades, mesmo que raras, já podem virar brechas reais. É justamente esse tipo de risco que a equipe da ETH Zurich tenta eliminar com a abordagem quântica.

Como o experimento foi construído com qubits
Os pesquisadores da ETH Zurich montaram o experimento com dois chips supercondutores que funcionam como qubits. Eles foram resfriados a temperaturas próximas do zero absoluto e conectados por um tubo de cerca de 30 metros, também refrigerado, por onde circulam fótons de micro-ondas.
Leia mais:
- Enigma quântico ‘impossível’ é solucionado com computador convencional
- IBM quer provar em 2026 que computador quântico já supera os melhores supercomputadores do mundo
- Microsoft Build 2026 tem novo Surface, agentes de IA e chip quântico
O curioso é que o sistema não começa “perfeito”. Ele parte de um gerador de números aleatórios imperfeito, usado apenas como ponto de partida para orientar as medições. A própria dinâmica quântica vai ajustando e eliminando esses desvios ao longo do processo.
Outro detalhe que vale destacar: a distância entre os qubits não é só um detalhe técnico. Ela foi pensada para evitar qualquer tipo de interferência durante as medições. Isso ajuda a manter o emaranhamento quântico estável e garante a confiabilidade dos resultados.

Impactos na criptografia e na tecnologia
Segundo os pesquisadores, o sistema consegue produzir sequências de zeros e uns com aleatoriedade comprovada, sem depender dos cálculos complexos usados em métodos tradicionais. Na prática, isso abre espaço para aplicações mais seguras em criptografia, identidades digitais, sistemas de loteria e blockchain.
Esse avanço também reduz a dependência de algoritmos determinísticos, que ainda são amplamente usados em sistemas digitais do dia a dia.
- geração de aleatoriedade baseada em qubits emaranhados
- redução de vieses presentes em geradores clássicos
- aplicações em criptografia e segurança digital
- uso potencial em blockchain, loterias e identidades digitais
“Nosso método não requer computação, já que toda a aleatoriedade é gerada pela medição de bits quânticos.”
Os pesquisadores destacam um ponto importante: como praticamente não há necessidade de processamento computacional, o método pode ser mais eficiente do que os geradores pseudoaleatórios tradicionais. Isso abre espaço para aplicações em redes distribuídas, onde diferentes sistemas podem depender de uma fonte central de aleatoriedade confiável.
No fim, o estudo reforça algo que vem ficando cada vez mais claro na física moderna: o mundo quântico não é apenas teórico ou experimental — ele já começa a aparecer, de forma concreta, em tecnologias do cotidiano digital.
O post Existe acaso perfeito? Cientistas dizem que sim e explicam como apareceu primeiro em Olhar Digital.



