As fabricantes chinesas Huawei e ZTE começaram a ter a atuação limitada nos Estados Unidos ainda em 2019 e, no ano seguinte, foram banidas de atuar em segmentos como telecomunicações. Porém, anos depois, a situação das marcas não mudou tanto assim nessa área.
Segundo uma reportagem do site The Verge, apenas 2% dos projetos de substituição da infraestrutura dessas companhias foi finalizado e 15% deles ainda não começaram a sair do papel. Enquanto isso, os cabos e antenas originais seguem funcionando, já que retirá-los significaria cortar o acesso de toda uma região à internet e telefonia.
Um dos motivos é a falta de distribuição de dinheiro para essas obras, além de o país ter subestimado a dificuldade que seria trocar boa parte da infraestrutura nacional rapidamente — em especial aquela de dados móveis 4G e em regiões com pouca cobertura das operadoras de grande porte.
Atraso
Uma das empresas que venceu a licitação para atuar no lugar de Huawei e ZTE, a Windstream, alega que não recebeu todos os fundos orçamentários prometidos para fazer as obras de retirada e substituição de equipamento.
Além disso, o sistema de solicitação de pedidos pela internet entre as empresas e a Federal Communications Comission (FCC), que é o equivalente norte-americano da Anatel, é tido como confuso e cheio de erros. Para piorar a situação, a crise de chips encareceu quase todos os equipamentos e componentes necessários para fazer as trocas, o que possivelmente vai estourar o orçamento previsto.
Relembre a polêmica
As sanções do governo dos Estados Unidos, então presidido por Donald Trump, começaram por volta de 2019. Elas começaram com medidas comerciais, como decretos que impediam marcas norte-americanas de fazerem negócio com algumas fabricantes chinesas.
A disputa evoluiu ao longo dos meses, com Huawei e ZTE proibidas de atuar na instalação do 5G local ou em qualquer parte da infraestrutura. Além disso, eles foram banidos de usar componentes e serviços dos EUA, como o caso do próprio Android — atualmente, a Huawei usa como sistema operacional a plataforma própria Harmony OS.

Uma antena de 5G da fabricante. (Fonte da imagem: Reprodução/Huawei)
A principal acusação de que as empresas chinesas são “ameaças à segurança nacional” pela proximidade delas com o governo chinês. Isso permitiria espionagem e acesso a dados privados de cidadãos e membros do governo, por exemplo. Em nota enviada ao The Verge, ambas as fabricantes seguem negando as denúncias.
Um dos resultados mais imediatos foi o encolhimento da Huawei no mercado de celulares: a marca chegou a ocupar a vice-liderança do segmento, atrás apenas da Samsung, mas despencou para longe do top 5. As sanções continuam até hoje, agora envolvendo até padrões recentes como o WiFi 6.





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