Após retirada de tropas estadunidenses e fuga do presidente afegão, grupo fundamentalista Talibã assumiu o controle da capital Cabul e tomou o governo do Afeganistão; entenda as origens do conflito na região
A última semana tem sido de intensos conflitos no Afeganistão. Em maio deste ano, o governo dos Estados Unidos anunciou a retirada das tropas restantes no país asiático. Com a movimentação, o grupo extremista Talibã iniciou uma série de ataques a diversas províncias do país, capturando todo o território afegão. Neste domingo, 15, a capital Cabul foi tomada pelo grupo.
Contando apenas o conflito mais recente, iniciado em 2001, a Guerra do Afeganistão durou duas décadas. As origens do conflito e o surgimento do Talibã, porém, remontam a 40 anos atrás. O POVO reuniu as principais informações abaixo, confira:
O que é o Talibã? Quando e como ele surgiu?
O Talibã é um grupo fundamentalista que atua no Afeganistão desde os anos 1990. Com uma visão extremista da religião islâmica, a agremiação atua tanto de forma política quanto militar.
A origem do Talibã se deu após a Guerra Afegã-Soviética, que aconteceu de 1979 a 1989. Neste conflito, a União Soviética e o governo do Afeganistão, de orientação marxista e que havia chegado ao poder com um golpe de Estado em 1978, enfrentaram milícias ligadas ao Paquistão e à Arábia Saudita.
Estes grupos paramilitares, chamados mujahidins, tinham também apoio logístico e treinamento dos Estados Unidos e da Inglaterra. Esta foi uma das chamadas “guerras por procuração”, comuns no embate entre Estados Unidos e União Soviética, em que os dois países nunca entravam em conflito direto.
Entre as tropas que receberam treinamento, dinheiro e armas dos Estados Unidos, estavam nomes como Mohammed Omar, Akhtar Mansour e Hibatullah Akhundzada. Os três são fundadores do Talibã, que começou como um grupo de estudos do islã (“talib”, no idioma afegão).
Em 1994, Omar, com cerca de outros 50 estudantes, decidiu criar uma organização que militasse pelo endurecimento das leis no Afeganistão segundo uma interpretação extremista da Sharia, código de conduta islâmico. Com amplo apelo em escolas religiosas do Afeganistão e do Paquistão, em 1995 o Talibã já tinha cerca de 15 mil membros.
Entre os posicionamentos de Omar estavam a oposição tanto à invasão soviética, que trouxe costumes ocidentalizados ao Afeganistão, quanto às milícias que governavam partes do país após o fim do conflito. À época, diversas facções de mujahidins disputavam o vácuo de poder deixado pelos soviéticos, em uma guerra civil que durou de 1992 a 1996. Na visão do Talibã, os conflitos geravam sofrimento ao povo afegão, e aconteciam porque a população não seguia as interpretações mais rígidas da Sharia.

O Talibã já governou o Afeganistão antes?
Já em seu princípio o Talibã tinha sua própria milícia, devido às armas e treinamentos recebidos de Paquistão e Estados Unidos, durante a guerra contra a União Soviética. Lançando, em dezembro de 1994, em um ataque na cidade natal de Omar, Kandahar, o grupo tomou o poder na região. Nos meses seguintes, as investidas militares continuaram: em setembro de 1996, o Talibã havia conquistado Cabul.
Entre 1996 e 2001, o Talibã foi o governo de fato do país, com o nome de Emirado Islâmico do Afeganistão. Após duas décadas de conflitos, entre a invasão soviética e a guerra civil, todavia, a região estava destruída, e acesso a itens básicos como água potável, comida e eletricidade dependiam de ajuda humanitária. Com uma política de desconfiança em relação a não-muçulmanos, o Talibã dificultou ou impediu ações de organismos internacionais no país.
Durante seu governo, o Talibã firmou parceria com a organização terrorista Al-Qaeda. O grupo criado por Osama Bin Laden teve grande integração com as forças de segurança do Afeganistão no período, auxiliando o governo do Talibã a manter a autoridade no país mesmo com o colapso social.





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