O diagnóstico de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, assustou a servidora pública Raissa Azulay, de 37 anos. Moradora de São Luís, onde nasceu, ela foi o segundo caso confirmado no Estado — atualmente são 344. “Eu não acreditava que o resultado pudesse dar positivo. Havia feito o exame apenas por desencargo de consciência”, relatou à BBC News Brasil.

A servidora pública não apresentou quadro considerado grave. Logo após receber o resultado do exame, permaneceu isolada em casa.

EXPOSIÇÃO E OFENSAS

A doença e os sintomas que desenvolveu não afetaram tanto Raissa quanto a repercussão do fato de ela estar com a covid-19. No dia seguinte ao diagnóstico, o nome de Raissa e fotos dela passaram a circular em aplicativos de mensagens de moradores da região.

A partir de então, a servidora pública, que queria que apenas as pessoas mais próximas soubessem da informação, começou a receber inúmeras mensagens em seus perfis nas redes sociais.

Entre as mensagens, havia textos de apoio de amigos e parentes. Mas ela também foi ofendida por diversas pessoas. No período, inventaram inúmeras mentiras sobre ela nas redes. “Parecia que eu era a culpada pelo vírus ter chegado ao Maranhão. Começaram a me chamar de irresponsável”, relata.

Hoje, quase um mês após os primeiros sintomas, ela é considerada recuperada da covid-19. “Os médicos disseram que não transmito mais o vírus”, ressalta.

Raissa, porém, ainda não sabe quando perderá o medo de sair de casa. “Tenho receio de que alguém me encontre e venha me acusar de ter passado o vírus para outra pessoa”, desabafa.

A psicóloga Maria de Fátima José-Silva, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que em um contexto de pandemia, como no caso do novo coronavírus, muitas pessoas podem ter a necessidade de criar “inimigos visíveis ou invisíveis” para enfrentar a situação.

“Nesse contexto, surgem medos e o isolamento social revive sentimentos de ‘fantasmas imaginários’, que em períodos regulares são mais fáceis de controlar. Toda essa situação se traduz em comportamentos agressivos contra sujeitos semelhantes”, relata a especialista.

Segundo a psicóloga, o compartilhamento de fotos e críticas a indivíduos com o novo coronavírus pode ser uma forma de tentar achar um culpado para a disseminação de um vírus de rápida propagação em todo o mundo.

A especialista afirma que a necessidade de apontar culpados pode vir da angústia causada durante a pandemia, em razão das incertezas. “O indivíduo não tem uma previsão do término desse período, nem sabe as novas consequências que poderão surgir. É um cenário, por vezes, obscuro”, diz.

OUTROS ATAQUES

A exposição de nome e fotos de pessoas com o novo coronavírus não é uma situação vivida somente por Raissa. Diversos pacientes passaram por situações parecidas.

*Fonte:Ma10

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