Conforme noticiado pelo Olhar Digital, nesta sexta-feira (1), a Lua iniciou a fase cheia. Isso aconteceu às 14h23 (pelo horário de Brasília), de acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org. Desta vez, o fenômeno tem um diferencial: trata-se de uma ‘microlua’.
Ainda de acordo com a plataforma, quando se tornou 100% cheia, a Lua estava a cerca de 402 mil km da Terra. Já na segunda-feira (4), quando atingir o apogeu (ponto mais longe do planeta em sua órbita atual), a distância será de 405.841 km.
Por que ‘microlua’?
Agora, para entender por que esta Lua cheia pode ser chamada popularmente de ‘microlua’, precisamos levar em conta pelo menos um dos três critérios que determinam esse conceito:
- Lua cheia ocorrer no mesmo dia do apogeu;
- Lua cheia ocorrer com a lua a mais de 405 mil km de distância da Terra;
- Lua cheia ocorrer com uma distância superior a 90% da diferença entre perigeu (ponto mais próximo da Terra) e apogeu para a órbita atual.
Neste caso, o critério que se enquadra é o terceiro, explicado no infográfico abaixo:

Confuso? Um pouco. Mas, resumidamente, a primeira Lua cheia de maio de 2026 (sim, porque serão duas) está menor no céu do que todas as outras do ano.
A distância da Lua em relação à Terra varia porque sua órbita não é perfeitamente circular – é ligeiramente oval, traçando um caminho conhecido por elipse. À medida que o satélite atravessa esse caminho elíptico ao redor do planeta a cada mês, sua distância varia 14%, entre 356.500 km no perigeu (aproximação máxima) e 406.700 km no apogeu.
“Esses valores são médios porque, na prática, variam bastante devido às influências gravitacionais do Sol e dos outros planetas do Sistema Solar” diz Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital. O tamanho angular do astro também varia pelo mesmo fator, e seu brilho também se altera.

O tempo do circuito perigeu-apogeu-perigeu da Lua é de 27,55 dias. Isso é um pouco mais do que seu período orbital, que é de 27,322 dias. “Esse período é chamado de mês sideral, e é diferente do mês sinódico, que é o período de 29,5 dias entre duas novas, porque como a Terra também está girando em torno do Sol, a Lua precisa de um pouco mais de uma volta para apresentar o mesmo alinhamento com o Sol, e consequentemente, a mesma fase”, explica Zurita.
Por que “Lua das Flores”?
A lua cheia de maio é chamada de “Lua das Flores”. De acordo com o Old Farmer’s Almanac (Almanaque do Velho Fazendeiro), uma das publicações mais tradicionais dos EUA voltadas à vida no campo, a lua cheia de cada mês do ano tem uma designação própria – saiba os demais nomes aqui.
Zurita explica, no entanto, que não faz muito sentido para nós, no Brasil, chamar a Lua cheia de maio de Lua das Flores. “Afinal, ela ocorre durante o outono no hemisfério sul. Para nossa cultura ancestral, essa época do ano é marcada pela chegada dos ventos e do frio”.
Segundo o especialista, nesse período, até hoje, os povos tupis celebram o Festival de Ara Ymã, com atividades e rituais que fortalecem a espiritualidade e a relação com a terra. “Dessa forma, para nós, faria muito mais sentido se chamássemos a Lua cheia de maio de ‘Lua de Ara Ymã’ ou simplesmente ‘Lua do Frio’. E no caso de 2026, também caberia muito bem uma ‘Lua do Trabalhador’, já que ela chegou em sua fase cheia justamente no dia do em que se homenageia aqueles que produzem as riquezas e o desenvolvimento do país”.

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Confira registros da ‘microlua’
O fotógrafo e origem turca Lokman Vural capturou a Lua cheia surgindo em 1º de maio entre arranha-céus na 42nd Street, em Nova York, EUA – um dos cinco locais onde ocorre o chamado “Manhattanhenge”, fenômeno no qual o Sol se alinha aos prédios entre o fim de maio e meados de julho, segundo o Museu Americano de História Natural.
Outro registro incrível feito nos EUA foi obtido a partir do Liberty State Park, em Jersey City, New Jersey, mostrando a protagonista da noite “emoldurando” a cabeça da Estátua da Liberdade.
Enquanto isso, o fotojornalista Isa Terli, que se descreve no Instagram como “selenófilo” (aquele que tem fascínio pela Lua), tirou uma foto impressionante da sua “musa” brilhando atrás da Torre de Observação de Incêndios de Beyazit, em Istambul, na Turquia.
O fotógrafo documentarista Davide Pischettola, da Itália, registrou a Lua alinhada ao topo da Torre Calderina, antiga estrutura de defesa costeira localizada perto da cidade de Molfetta.
Sergei Gapon, um fotojornalista ucraniano associado à Reuters, registrou a Lua das Flores surgindo entre arranha-céus de Varsóvia, na Polônia. A atmosfera da Terra provocou um efeito chamado de refração, deixando o disco lunar levemente achatado e distorcido.
Veronica dSouza, artesã de moda sustentável baseada em Goa, na Índia, que se descreve no X como fotógrafa amadora, também fez um belo registro da ‘microlua’, que ela chamou de “Lua Tropical”.
Finding Silver Lining in the Twilight!!
There is Something about the Tropical Moon that just hits different !!😊
Taking a Second to breathe and Appreciate this View!!🌚🙏🏼#Goa #FullMoon #Peaceful #Naturephotography #PalmSquad#Moonlight #IslandVibes #Nightfall #SoulSearching pic.twitter.com/osj3N76LNL— Veronica dSouza (@Veronicdsouza) May 2, 2026
É importante reforçar, conforme mencionado anteriormente, que, neste ano, maio terá duas luas cheias. Quando essa fase é atingida duas vezes em um mesmo mês, a segunda é chamada de “Lua Azul” (sem que isso tenha qualquer relação com a coloração do astro).
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