1. O que aconteceu?

  • Quando: Em 25 de junho de 2025, Câmara (383 votos a 98) e Senado (votação simbólica) aprovaram o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 214/25, suspendendo os três decretos que haviam elevado alíquotas do IOF em maio e junho.
  • Quando vigora: A suspensão passou a valer em 26 de junho de 2025, data em que as alíquotas retornaram aos valores anteriores.

2. Principais efeitos – alíquotas que voltaram aos antigos patamares:

Tipo de operaçãoAntes dos decretos (até 21/5/25)Com os decretos aumentadosApós a derrubada (desde 26/6/25)
Cartões internacionais (crédito, débito, pré-pago e cheques viagem)3,38 %3,5 %3,38 %
Compra de moeda em espécie1,1 %3,5 %1,1 %
Remessas ao exterior (gastos pessoais)1,1 %3,5 %1,1 %
Remessas ao exterior para investimentos0,38 %1,1 % (máx. temporário)0,38 %
Empréstimos de curto prazo (< 364 dias)isentos desde 20233,5 %isentos
Crédito empresarial (PJ)0,38 % + 0,0041 % ao dia0,95 % + 0,0082 % ao dia (3,95 % a.a.)volta a 0,38 % + 0,0041 % ao dia (manutenção da taxa adicional de 0,38 %)
Previdência (VGBL)isentacobrança de 5 % sobre aportes mensais > R$ 50 milisenta, independente do valor

3. Por que os decretos foram derrubados?

  • Houve forte pressão de parlamentares, empresários e especialistas contra o aumento repentino do IOF, por temerem impacto negativo no consumo, nos investimentos e no câmbio.
  • Para o governo, a derrubada representa uma derrota inédita: é a primeira vez em 33 anos que o Congresso revoga um decreto presidencial.

4. Consequências fiscais e próximas decisões

  • O governo contava aproximadamente com R$ 10 bilhões apenas em 2025 de receita adicional, porém perdeu esse incremento com a derrubada.
  • O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou três possíveis caminhos:
    1. Acionar o Judiciário, alegando inconstitucionalidade do PDL;
    2. Buscar outras fontes de arrecadação — cortes em isenções, aumento de impostos ou MP;
    3. Aumentar contingenciamentos no Orçamento público.
  • A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que recuperar esse montante é essencial para cumprir as metas fiscais de 2025 e 2026.

5. E agora?

  • Para pessoas físicas, o principal impacto foi o retorno do IOF de 3,38 % em cartões no exterior (antes era 3,5 %) e a volta dos 1,1 % para compra de moeda e remessas de gastos.
  • Para empresas, os empréstimos de curto prazo voltam a ser isentos, e o tratamento do IOF volta à normalidade.
  • O cenário político segue volátil, com tendência ao governo buscar alternativas como MP para recuperar receita perdida.

Resumo funcional

  • IOF nas compras com cartão no exterior e débito internacional: volta a ser 3,38 %
  • IOF sobre compra de moeda em espécie e saques/pagamentos no exterior: volta a ser 1,1 %
  • Empréstimos de curto prazo para empresas: retornam à isenção
  • Crédito PJ: volta ao patamar de 0,38 % fixo + 0,0041 % ao dia (com adicional)
  • Investimentos e previdência (VGBL): retornam à isenção

Conclusão

O IOF segue agora como estava antes de 22 de maio de 2025. A derrubada traz alívio para o consumo e câmbio, mas gera preocupação fiscal — o governo terá que escolher entre ir à Justiça, cortar gastos ou editar novas medidas. O cenário continua instável, então vale acompanhar os próximos passos do Executivo e ajustes no Orçamento.

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