Gregório José

Nos dias de hoje, é comum encontrarmos mercadorias com preços terminados em ,99 nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais. Essa prática, adotada por muitos empresários, visa atrair o consumidor através da ilusão de um preço mais baixo. No entanto, essa estratégia esconde uma realidade desvantajosa para o cliente: a falta de troco adequado e o consequente “furto” de centavos que, somados, representam uma quantia significativa no fim do mês. Este artigo busca criticar essa prática desleal e propor alternativas que promovam uma relação mais justa entre comerciantes e consumidores. Eu me senti várias vezes enganado por isto. O troco seri 2,78 e me entregam 2,75, perdi, na cara dura 3 centavos em uma compra.

Os preços terminados em ,99 (,98 ou ,97) são uma estratégia de marketing amplamente utilizada, baseada no conceito psicológico de que um produto anunciado por R$ 9,99 parece significativamente mais barato do que um produto anunciado por R$ 10,00, apesar da diferença ser apenas de um centavo. Essa técnica, conhecida como “preço psicológico”, explora a percepção humana de valores, induzindo o consumidor a acreditar que está fazendo um negócio melhor.

Um dos problemas mais evidentes dessa prática é a frequente falta de troco nos caixas. Quando um cliente paga por um produto de R$ 9,99 com uma nota de R$ 10,00, muitas vezes ele não recebe o troco de R$ 0,01, seja por falta de moedas disponíveis, seja por desatenção ou mesmo má-fé dos funcionários e empresários. Esse centavo, que parece insignificante isoladamente, representa uma perda contínua para o consumidor.

Imagine uma situação em que uma pessoa faz compras diárias e, em cada transação, deixa de receber um centavo. Ao longo de um mês, com 30 dias, essa pessoa perde R$ 0,30. Em um ano, são R$ 3,65. Agora, multiplique essa quantia pelo número de consumidores que passam por essa situação diariamente. O montante total “roubado” dos clientes se torna significativo, beneficiando exclusivamente os empresários.

O problema se agrava quando consideramos que muitos empresários não fazem questão de corrigir essa falha sistêmica. A desculpa da falta de troco acaba se tornando uma maneira conveniente de lucrar às custas do consumidor, um lucro que, embora pareça irrisório em pequenas transações, se acumula de forma expressiva com o volume de vendas. Essa prática pode ser vista como uma forma de desonestidade institucionalizada, uma vez que os empresários têm total consciência do impacto dessa estratégia.

A solução para esse problema é simples e honesta: adotar preços inteiros e conceder descontos reais. Em vez de marcar um produto com o preço de R$ 9,99, os comerciantes poderiam simplesmente arredondar para R$ 10,00 e, se desejarem atrair clientes com descontos, oferecer reduções efetivas no preço total da compra. Dessa forma, eliminam-se as complicações com troco e promove-se uma relação de transparência e confiança com o consumidor.

A prática de colocar preços terminados em ,99 e não dar o troco devido é um exemplo de desonestidade disfarçada de estratégia de marketing. Os consumidores, que deveriam ser protegidos e respeitados, acabam sendo lesados em pequenas quantias que se acumulam de forma significativa. Para uma relação comercial mais justa e transparente, os empresários devem reconsiderar essa prática e adotar preços inteiros, oferecendo descontos reais quando possível. Só assim poderemos garantir que o consumidor não seja mais vítima de promoções falsas e desvantagens constantes no mercado.

Gregório José

Jornalista/Radialista/FilósofoPós Graduado em Gestão EscolarPós Graduado em 

Ciências Políticas

Pós Graduado em Mediação e ConciliaçãoMBA em Gestão Pública

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